domingo, 18 de outubro de 2026

New era

Dois mil e vinte seis ein, estamos vivendo a terceira revolução digital, I.As tomam conta do mundo, smartphones pra cada pessoa do planeta. Todos estamos unidos pela beleza da tecnologia, no entanto quanto mais a tecnologia nos une, mais distantes um do outro ficamos. Eu ainda sou daquelas pessoas vintages que insistem em ligar e ouvir a voz das pessoas do outro lado da linha, só o fato de eu usar a metonímia " do outro lado da linha" me faz vintage, mas mesmo sendo rotulado de mal educado, chato, incoveniente - sim sei o que a maioria das pessoas pensam de mim - por ligar pra elas quando preciso de um auxílio, sanar uma dúvida, pedir coisas, não consigo ficar só no texto frio e impessoal do whatsapp. O texto não permite ouvir as intenções, as ironias, a raiva, a alegria no ton de voz das pessoas. Não me acho mais importante que ninguém, embora talvez seja isso que me falte, autoconfiança, conheço muita gente que tem, e elas me parecem ser mais felizes e bem sucedidas, no entanto acho que ligaçoes são importantes, pois ainda permitem sentir o que resta de humano no mundo. Passo o dia todo conversando com máquinas, eu sei que do outro lado existe outra pessoa, mas saber e sentir são coisas completamente diferentes. Sinto que só o que faço é conversar com máquinas, dia e noite, atravéz de textos, figurinhas, algumas vezes áudios, como nas antigas secretárias eletrônicas. Estamos tão condicionados a tecnologia, que não conseguimos mais fazer nada sem nossos smartphones, ficar longe deles é como ficar sem cocaína pra um dependente químico, sem bebida alcoólica pra um alcoólatra, sem sexo pra um ninfomaníaco. O cérebro pede, o corpo pede, não interessa onde a pessoa esteja. Comemos com o telefone na mão, assistimos filmes e séries com eles, tanto que os produtores de filmes e séries atualmente levam isso em consideração na hora de fazer o roteiro e a edição, nos reunimos com eles, fomos dominados por eles. Aí que cara chato sou eu, como diria Raul, mas me desculpa, sinto falta do humano no mundo! 

Friendship

Amizade, palavra bonita, sentimento bonito. Se eu quiser ser honesto de verdade, não posso definir completamente o valor dessa palavra, hoje não tenho amigos, talvez dois ou três, que vivem bem distantes de mim, aqui onde vivo, tenho as vezes colegas de chopp e de sinuca, mas são pessoas que não posso me abrir, não consigo desabafar, sabe aquele seu amigo ou colega chato, que só reclama de tudo, então, como diria Roberto Carlos, esse cara sou eu. O meu jeito de ser, afastou todos que eu considerava amigos, pessoas simplesmente se afastaram, sem conversar, sem pedir licença, sem se despedir, simplesmente sumiram e eu, como bom amigo que sou, respeitei. Esse respeito nunca vem sem a dor ou a tristeza de não ter com quem conversar, com quem chorar, com quem dar risadas sinceras. Hoje sou eu e meus filhos de 4 patas, minha vida se resume a acordar, beber ou não um café, ir pro trabalho, voltar pra casa depois do expediente, jantar na casa dos meus pais e vir pra casa dormir, depois poluir meu cérebro durante horas no YouTube, a única rede social que ainda consigo ter, pra não ficar completamente doente _ por fim _ fechar os olhos e  dar espaço pro sono vir, na maioria das vezes depois da meia noite, acordar às três da madrugada, ir ao banheiro, dormir algumas horas depois de novo e acordar às sete, pra dar tempo de eu batalhar comigo mesmo, e ver qual dos dois ganha a batalha, se é o trabalhador responsável ou o servidor doente que não quer sair da cama pela eternidade! E repito essa rotina dia após dia, ano após ano, década após década. Ontem eu tinha vinte e poucos anos, hoje quarenta e poucos, sempre com os dias sendo os mesmos. Um eterno dia da marmota, só que sem as partes engraçadas. Quando preciso desabafar, deito, coloco a trilha sonora da autopiedade, choro, lembro, choro mais, depois se tiver sorte, durmo, sabendo que amanhã terei mais do mesmo.  

The pain

Já fazem dois anos, talvez até mais, perdi a noção do tempo, mas a dor da perda é dilacerante, e é perda mesmo, pois eu não consegui ser o homem que ela quisera que eu fosse, mais audacioso, com melhor perspectiva, mais ambicioso, isso fez que ela perdesse a admiração por mim. Infelizmente essas qualidades não estão no meu sistema, e mais infelizmente ainda, amor, carinho e amizade, não bastam pra manter uma relação. Hoje sou um homem "livre", tentando viver um dia de cada vez, tentando passar as fazes do luto, sozinho, ainda sem perspectiva, sem vontade de levantar da cama, de ir trabalhar, de ver filmes, de ir ao cinema, sem vontade de viver, mas vivo ainda assim, pois é assim que tem que ser. Devo isso a minha família e as pessoas que pagaram pra eu estar vivo hoje, não foi barato. Essa dívida não me permite desistir, mas a dor dói, dói demais, a solidão parece ter garras cegas, pois cortam o espírito como se dilacera carne com faca denteada. Quando fecho meus olhos, ainda consigo ver a cor de seus olhos, o formato tão lindo de seu rosto, a boca carnuda, o sorriso muitas vezes despretensioso. Consigo sentir o cheiro, quase sinto como se conseguisse tocar a pele lisa e branca. A paixão virou dor, o amor virou dor. Não guardo rancor, nem ódio, somente a tristeza de não ter sido o que ela gostaria que eu fosse! A saudade do que poderia ter sido, e quis minha incompetência, com ajuda do destino, desmontar o sonho de amar e ser amado.