domingo, 18 de outubro de 2026
The pain
Já fazem dois anos, talvez até mais, perdi a noção do tempo, mas a dor da perda é dilacerante, e é perda mesmo, pois eu não consegui ser o homem que ela quisera que eu fosse, mais audacioso, com melhor perspectiva, mais ambicioso, isso fez que ela perdesse a admiração por mim. Infelizmente essas qualidades não estão no meu sistema, e mais infelizmente ainda, amor, carinho e amizade, não bastam pra manter uma relação. Hoje sou um homem "livre", tentando viver um dia de cada vez, tentando passar as fazes do luto, sozinho, ainda sem perspectiva, sem vontade de levantar da cama, de ir trabalhar, de ver filmes, de ir ao cinema, sem vontade de viver, mas vivo ainda assim, pois é assim que tem que ser. Devo isso a minha família e as pessoas que pagaram pra eu estar vivo hoje, não foi barato. Essa dívida não me permite desistir, mas a dor dói, dói demais, a solidão parece ter garras cegas, pois cortam o espírito como se dilacera carne com faca denteada. Quando fecho meus olhos, ainda consigo ver a cor de seus olhos, o formato tão lindo de seu rosto, a boca carnuda, o sorriso muitas vezes despretensioso. Consigo sentir o cheiro, quase sinto como se conseguisse tocar a pele lisa e branca. A paixão virou dor, o amor virou dor. Não guardo rancor, nem ódio, somente a tristeza de não ter sido o que ela gostaria que eu fosse! A saudade do que poderia ter sido, e quis minha incompetência, com ajuda do destino, desmontar o sonho de amar e ser amado.