Tantas coisas a ponderar. As eleições de 2026 foram brutais psicologicamente para ambos os lados dos espectros. Eu espero que o radicalismo consiga ser reduzido nos próximos quatro anos.
Quem ganhou essa eleição não foi o Partido dos Trabalhadores e, por incrível que pareça, também não foi o Lula. O povo escolheu a democracia, e escolheu com uma diferença de votos muito pequena. Mas será que é porque não acreditamos mais na democracia, ou é porque não acreditamos nos agentes que atuam nessa democracia?
Tantas coisas que precisam ser feitas. O presidente Lula precisa entender que ele não tem mais 80% de aprovação, que ele foi menos rejeitado que o outro lado, que o brasileiro não quer mais quatro anos de governo do PT; o brasileiro quer um governo de frente ampla. Ele recebeu mais uma chance de calçar as sandálias da humildade e convidar todos os partidos que ainda acreditam na democracia para governar juntos, ler o que o povo brasileiro quer, pensar que, com o fim da fome e a ascensão social das pessoas, elas têm novos sonhos, e esses sonhos precisam ser ouvidos e atendidos. O presidente, Luiz Inácio, espero, tenha aprendido e consiga encontrar um substituto, de preferência que não seja com a mesma ideologia alienada do PT. O PT é um partido moribundo, que só sobreviveu até hoje devido ao Lula. Está na hora de novos nomes, pessoas decentes, que acreditem no país.
O próximo presidente, junto com o Congresso, com o Senado e com o Supremo Tribunal Federal, precisa fazer muitas reformas, precisa chamar todas as ideologias democráticas para sentar à mesa, precisa ouvir as classes emergentes, precisa rever a CLT, ajudar as microempresas. Grandes empresas não mandam mais no mundo: um moleque com um celular transforma a sociedade muito mais do que todas as grandes multinacionais juntas. É preciso também fazer uma reforma profunda no Judiciário; a decisão de Zanin e a prevaricação pela ausência de ação de Kássio são provas cabais disso. É preciso que os três poderes voltem a funcionar como Montesquieu preconizava.
Precisamos melhorar a educação nesse país, mas não essa melhora falseada de números, onde a situação real dos estudantes e professores no nosso país é maquiada. Fica fácil dizer que não existe mais desistência e abandono em escolas quando a política de estado manda transferir alunos que não comparecem e justificar faltas daqueles que não têm justificativa. É fácil dizer que não tem reprovação quando é proibido reprovar mais de dois ou quatro alunos por ano. É completamente antiético chantagear os profissionais da educação com premiação financeira para que trabalhem doentes e, na maioria das vezes, sofrendo agressões físicas e psicológicas. Isso não é política de estado; isso deveria ser chamado pelo nome correto: crime de estado.
A saúde precisa melhorar. O SUS salvou milhares de vidas durante a pandemia, e isso, por si só, já mostra o tamanho da importância desse sistema. Ele não precisa ser padrão de hospital particular — claro que não —, ele precisa ser muito melhor que isso, pois o paciente de hospital público precisa ser tratado da melhor forma possível, pois é o que mais paga: paga com sangue, com suor, com lágrimas.
A segurança pública é um problema nacional e não internacional; precisa ser resolvido dentro de nossas fronteiras. É de responsabilidade do governo municipal, estadual e federal — e se não o é, devemos fazer com que assim seja. Chega de crime organizado na Faria Lima, chega de crime organizado na política e chega de crime organizado nas favelas. E isso só pode ser alcançado com intervenção do estado nas três áreas: saúde, educação e segurança.
Exportamos inteligências para o mundo; já passou da hora de usarmos essas mentes para melhorar a nossa pátria. A sociedade merece o melhor e é obrigação de seus gestores, eleitos ou não, que entreguem o melhor; sabemos que pagamos muito bem para que isso ocorra. Temos uma das melhores legislações do mundo, temos as melhores terras, o melhor gingado, o povo mais receptivo e caloroso. Já passou da hora de mudar.
Embora eu esteja feliz pelo início do declínio da família Bolsonaro — assim espero —, pois, ao contrário de muitos, eu ainda consigo me lembrar dos assassinados pela COVID. Pela subalternização de um país inteiro na pessoa de um presidente fraco que idolatra a pátria dos outros. Pelas falas racistas, pedófilas, genocidas, misóginas e, acima de tudo, criminosas, que só ofuscaram as maravilhas do povo brasileiro. Espero que hoje seja o início da retomada da democracia plena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário