sábado, 31 de outubro de 2026

A arte de não virar "homem!"

"Tristeza não tem fim, felicidade sim." Já dizia o poeta. A MPB sempre soube traduzir tão bem os sentimentos, a dor de ser humano, a beleza de ser humano, as inconstâncias da humanidade.

Tenho usado meu blog como se fosse um diário, coisa de menininha, eu sei, mas sou um hétero, branco, cis em desconstrução. "Vira homem", dirão alguns, mas essa fase da minha vida já passou! A fase de me importar com o que os homens dizem. As mulheres, sempre escuto e sempre as ouvirei. Elas, quando falam, costumam usar o cérebro, já o homem costuma usar apenas a testosterona! Figura de linguagem, é claro.

Lembro da primeira vez que ouvi a frase: "Vou fazer você virar homem". Me marcou, me marcou tanto que tentei, e tento diariamente, ser o mais distante possível desse imaginário masculino. "Tem funcionado muito bem", espanto cada vez mais as mulheres. Ao menos, nos últimos anos, consegui o feito de espantar os homens também.

Ironicamente, ao longo da vida recebi mais atenção de homens gays do que das mulheres(público esse que eu gostaria de atrair) mas finalmente deixei de passar por essa situação, pois nem eles se atraem mais. Consegui afastar as que desejava e também aqueles por quem não nutria nenhum interesse. Deixo claro que não por serem gays, mas por estarem atraídos por mim, eu não sendo.

Sempre houve uma campanha insuportável para que eu assumisse, assumisse algo que não sou, tanto por parte de familiares quanto de amigos e inimigos. Sempre levei na esportiva, mesmo que por dentro eu quisesse extravasar o ódio de me colocarem num armário em que nunca entrei. E como sair de algo em que nunca entrei? Não entenda mal, admiro os gays, só não sou, entende!?

Acho que tenho usado esse blog como terapia, o mais próximo que posso ter. Pelo menos aqui não pago um centavo sequer para desabafar. Porque desabafar com amigos não é a melhor forma de manter amigos.

Tive um "amigo" que me disse, quando eu estava desabafando, naqueles dias em que a solidão, acompanhada da minha velha companheira, a depressão, estava presente, para parar com "essa autopiedade". Só precisou dizer uma única vez, até porque não dei mais nenhuma oportunidade para uma nova rodada.

Outros me disseram que meu futuro é reclamar, que é o que mais gosto de fazer. Parei de reclamar também. O que posso dizer? Sou bom em ouvir conselhos, principalmente os que são ditos com sinceridade, para atingir, machucar. Talvez eu devesse ter ouvido o primeiro conselho que me marcou: "Vire homem!" Talvez fosse mais fácil.

Mas acho que vou continuar nessa linha de ser educado, amoroso, carinhoso, responsável, assumir meus malfeitos. Em outras palavras, cada dia que passa viro mais mulher! (Paradoxo argumentativo.)

Palavras machucam, destroem, entristecem, mas, como mencionei, tristeza não tem fim.

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